
Um cavalo manca. O exame clínico e os bloqueios apontam a região do metacarpo. Você posiciona a sonda e vê uma área escura no tendão flexor. Tendinite? Nem sempre. Em muitos casos, o que aparece na tela é um artefato causado pelo ângulo da sonda, e uma decisão tomada em cima dele pode levar o animal a um tratamento que ele não precisa, enquanto a causa real da dor continua sem solução.
Neste artigo, explicamos onde o ultrassom em equinos entra no exame de claudicação, como reconhecer e evitar esse erro, e o que considerar na escolha do aparelho de ultrassom veterinário para a rotina de equinos.
Claudicação é sintoma, não diagnóstico
A claudicação em cavalos é um dos problemas de saúde e locomoção mais frequentes nos equinos e atinge o cavalo de esporte, o de lazer e o de lida. Por trás dela, quase sempre há dor, e a dor pode estar no casco, no boleto, no tendão, na articulação ou em mais de um lugar.
Por isso, a sequência clínica continua sendo a base: anamnese, inspeção, palpação, graduação da claudicação, provas de flexão e bloqueios diagnósticos. O exame clínico localiza a dor. A imagem confirma e caracteriza a causa.
Onde o ultrassom entra
Depois de localizar a região, o ultrassom avalia o que a palpação não alcança:
- tendões flexores e ligamento suspensor do boleto;
- ligamentos acessórios e bainhas tendíneas;
- articulações, com efusão, sinovite e osteófitos;
- superfície óssea, em busca de periostite e alterações precoces;
- músculos, e a região do pé por abordagens específicas.
Além disso, o ultrassom guia infiltrações e terapias biológicas direto na lesão, com precisão.
Entre as vantagens estão a ausência de radiação, a imagem em tempo real, a possibilidade de examinar no haras ou na baia, a comparação com o membro oposto e a facilidade de repetir o exame para acompanhar a cicatrização.
O erro que engana: a anisotropia
Tendões e ligamentos só devolvem bem o feixe de ultrassom quando ele chega perpendicular às fibras. Quando a sonda está inclinada, mesmo que pouco, o tecido saudável aparece escuro, como se tivesse uma lesão. Esse efeito se chama anisotropia.

O custo desse erro recai sobre o animal: repouso, medicação e terapias sem necessidade, e retorno à rotina atrasado.
Como evitar o erro de ângulo
- Mantenha o feixe perpendicular às fibras.
- Examine em dois planos, transversal e longitudinal.
- Compare com o membro oposto, na mesma zona.
- Use os mesmos ajustes de profundidade, ganho e foco.
- Garanta bom acoplamento: tricotomia, gel e, se preciso, almofada de afastamento.

Se a área escura clareia e o padrão fibrilar volta quando você inclinar a sonda de leve, era artefato.
Como saber se a lesão é real
A lesão verdadeira persiste em todos os ângulos. Ela costuma aumentar a área de secção do tendão, romper o padrão fibrilar, espessar o peritendão e combinar com a clínica: calor, dor à palpação e claudicação.

Acompanhamento: recuperação guiada pelo tecido
Tendões flexores cicatrizam devagar e a cicatrização é incompleta, por isso o risco de relesão é alto. As reavaliações seriadas por ultrassom, em intervalos definidos pelo veterinário responsável, ajudam a decidir o retorno gradual ao esporte, ao passeio ou à rotina, guiado pela cicatrização do tecido, não pela pressa.
Limites do ultrassom
O ultrassom não enxerga o interior do osso, tem janela limitada em estruturas profundas e no casco, e depende muito da técnica de quem examina. Ele complementa, e não substitui, a radiografia, a tomografia, a ressonância e o exame clínico.
O aparelho certo para a rotina de equinos
Para fazer esse exame no haras ou na baia, o veterinário precisa de um aparelho portátil, com boa qualidade de imagem e a sonda adequada. Para tendões, a sonda indicada é a linear de alta frequência.
O Mindray DP50 Vet Power é um ultrassom veterinário compacto e portátil, com alta qualidade de imagem, pensado para a rotina clínica. Para montar a configuração ideal para equinos, fale com a equipe do Shop Veterinário e confirme quais sondas são compatíveis com o DP50.
